O filme mais impactante do ano.

Ensaio sobre a Cegueira

Essa noite, eu não dormi bem. Não só pelo calor exagerado provocado pelas modificações que o mundo vem passando, mas por ter ficado demasiadamente impressionado com um filme, como há muito não acontecia.

No começo de setembro, estreou um filme que há muito eu esperava, ansiosamente, para ver, mas que o cinema de minha querida cidade insistia em me impedir de ver, já que não trazia o filme para exibição de modo algum. Trata-se da adaptação do livro Ensaio sobre a cegueira do português José Saramago. O livro foi adaptado para o cinema por ninguém menos que nosso maior diretor da atualidade, Fernando Meireles, que ainda colhe o prestigio alcançado por causa de Cidade de Deus. Ao contrario de outros diretores que na primeira oportunidade abraçam projetos Hollywoodianos, Meireles resolveu encarar o desafio de adaptar uma obra bem complicada.

Mesmo não sendo uma produção americana, Ensaio sobre a cegueira tem status de superprodução, seja em seu elenco repleto de estrelas, seja em sua fotografia ousada e realista. Os planos que mostram uma cidade do alto, completamente apodrecida, carros batidos, e pessoas vagando que mais parecem zumbis, são impressionantes. Mas, vamos ao filme.

O que mais incomoda em Ensaio sobre a cegueira, é você não poder simplesmente dizer que o filme é irreal, ou muito violento, ou apelativo, pois de uma forma ou de outra você acaba se vendo naquela situação e sabe que tudo que é mostrado no filme é possível acontecer, sim.

No filme, os personagens não têm nome. Tudo começa com um japonês que no meio do trânsito se vê numa situação, digamos, curiosa. De uma hora para outra ele fica cego. Ao chegar ao consultório do oftalmologista, ele aparentemente contagia a todos com o seu mal, já que ou no dia seguinte ou depois de horas, todos os personagens apresentados ali, começam a perder a visão.

Quando a epidemia de cegueira começa a se alastrar, os contaminados são levados para uma espécie de quarentena, de onde se tentarem sair são mortos pelo exercito, ficando entregues à própria sorte, sem higiene e com pouca comida. No meio do caos, apenas uma mulher consegue enxergar, a mulher do oftalmologista.

Julianne Moore parece que já nasceu para esse tipo de papel: a mulher sofredora, que luta contra todos pela pessoa que ama. Alice Braga, com seu inglês impecável, faz o papel de uma prostituta paciente do oftalmologista. O elenco inteiro é super afinado e passam realmente a impressão que estão cegos.

As cenas mais fortes e polemicas do filme se passam na quarentena. Cheia de pessoas, o lugar mais parece um manicômio, com fezes pelo chão, pessoas nuas pelos cantos, ou enlouquecendo por não conseguirem ver. Gael García Bernal faz o papel do Rei da Ala 3, como ele mesmo se define. Detentor de toda a comida, ele impõe uma ditadura aos demais, onde primeiro as demais alas tem que trocar dinheiro por comida, no caso, jóias, e depois são obrigadas a mandar as suas mulheres para que elas sejam estupradas em troca do alimento. As cenas de estupro do filme, não chegam a ser violentas ou apelativas, mas a sensação causada pelo que está se vendo incomoda. O incômodo causado me fez lembrar duas coisas: o caso da menina no norte do país que foi presa com homens numa delegacia e foi obrigada a transar com os presos em troca de comida e um filme chamado Crash, que fala basicamente de preconceito.

Infelizmente o filme não foi visto com bons olhos pelos americanos. Nem sei dizer se o filme teve uma estréia la, ou se só foi exibido em circuito limitado. Com certeza não tem grandes chances no Oscar o que é realmente uma pena. Como não li o livro (ainda), posso apenas avaliar o filme como filme e não como adaptação. Só sei que o que vi, me incomodou e me fez pensar, não que o filme seja perfeito, mas cumpre muito bem o seu papel.

 

Nota: 9,0

Maiores bilheterias do ano – Parte 5

Mamma mia

 

Existem bandas e cantores que são realmente para sempre. Não importa se eles morreram, se a banda acabou ou se simplesmente não lançam material novo há dez anos, basta uma simples coletânea para eles continuarem movimentando milhões. Esse ano, experimentamos um novo meio de reviver bons momentos (para quem viveu nos anos 70), um modo diferente de ouvir musica que muitos de nos nunca ouviu, estou falando dos cinemas.

Duas produções bem diferentes entraram em cartaz, com uma semelhança: suas trilhas sonoras são completamente de bandas que já não existem mais. No caso de Across the Universe, nós temos as musicas dos Beatles para contar as desventuras de um jovem apaixonado (esse eu ainda não vi). Já Mamma mia, vai muito mais alem, trata-se de um musical completamente inspirado nas musicas do grupo ABBA.

Adaptado de um musical da Broadway, Mamma mia conta a historia de Sophie, uma jovem que está prestes a se casar quando resolve enviar três convites da cerimônia para três homens – Sam Carmichael, Bill Anderson e Harry Bright –, acreditando que um deles é seu pai.
De diferentes partes do mundo, os três resolvem voltar à ilha e à mulher por quem se apaixonaram vinte anos atrás. Quando chegam, a mãe de Sophie, Donna, se surpreende ao ficar cara-a-cara com os ex-namorados que nunca conseguiu esquecer. E, enquanto eles inventam desculpas por estar ali, ela se pergunta qual deles é, realmente, o pai de Sophie.

Não só pela nostalgia, mas sim por se tratar de um ótimo filme, Mamma mia foi um enorme sucesso de público e critica, arrecadando incríveis $564,204,210.

 

Fonte sinopse: http://www.cinepop.com.br/filmes/mammamia.htm.

 

007 Quantum of Solace

 

Daniel e as novas Bond Girls

 

Nos últimos anos duas grandes franquias, que eu não gostava, passaram por grandes transformações. Uma delas foi Batman, que com Batman – Begins descarta tudo o que já foi filmado (Graças a Deus) com o Homem Morcego e recomeça sua historia de forma brilhante. Outra grande franquia que passou por grandes transformações foi 007. Não só o ator mudou, a série se renovou por completo, adquirindo um novo conceito, trazendo o agente James Bond para uma nova era. Quantum of Solace, segundo filme do agente com esses novos conceitos, rompe de vez com os filmes anteriores.

Confesso que vi poucos filmes da serie 007, mas o que não posso esquecer são as invenções que ele usava, a maioria delas surreais; sua forma de destruir exércitos inteiros sem ao menos machucar o terno, nem despentear o cabelo. Que bom que isso tudo foi deixado para trás.

Escalar Daniel Graig para o papel de James Bond foi só a ponta do iceberg quanto as modificações que os produtores resolveram fazer. Em Cassino Royale, é contada a historia de Bond antes dele ganhar sua licença para matar, de lá para cá, o Bond que é mostrado é um ser completamente frio e sanguinário, que mata primeiro e pergunta depois (se isso fosse possível). Já com Quantum of Solace, não há qualquer razão para achar que esse agente interpretado por Doniel Graig é o mesmo interpretado por Piece Brosnan e tantos outros. Se em Cassino Royale o agente sofre o diabo nas mãos de Lê Chiffre, 007 – Quantum of Solace já começa com uma empolgante perceguição de carros, seguida de uma perseguição a la Borne por telhados, que culmina com umas das lutas mais eletrizantes do ano. O filme simplesmente não para, é impossível respirar.

Talvez por ser uma continuação direta do filme anterior (pela primeira vez na historia dos filmes de 007), Quantum of Solace é um filme relativamente curto, são 109 minutos onde praticamente não há muito espaço para aprofundar a historia que gira em torno de uma organização criminosa, envolvida em petróleo e ate compra de água. A coisa toda culmina num deserto colombiano, onde há mais perseguições, dessa vez de avião, e um hotel que parece ser inflamável. Algumas cenas de ação podem parecer forçadas, mas honestamente não tiram o brilho do filme.

 

Nota: 8,5.

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